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Bem-vindo ao Amor é Acolher, um blog dedicado a explorar os meandros da saúde mental e do bem-estar. Aqui, você encontrará informações confiáveis, dicas práticas e histórias inspiradoras para te ajudar

a navegar pelas complexas emoções e desafios da vida.

abaixo você vai conhecer um pouco sobre a minha história

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Minha história

Vou começar este blog contando um pouco da minha história.

Quero que seja uma maneira de deixar registrado as tantos pensamentos negativos que tive que enfrentar.

Quem sabe, quem ler este relato, possa se identificar e aprender um pouco.

Saber que existe uma saída, mesmo que esta pareça não existir,

como muitas vezes eu também pensei.

Entender que NADA DURA PARA SEMPRE.


Quem sou eu, como foi minha caminhada até aqui, como passei pelas dificuldades da mente, de me autoconhecer, quanto aprendi sobre a mente sobre esse tempo em que tenho estudado e me dedicado à pesquisas e terapias.

A seguir você vai poder mergulhar um pouco nos embaraços que a mente produz, quando você descobre que tudo começa muito cedo, que tudo que vivemos ao longo dos anos é fruto de vivências que tivemos muito antes de entendermos o significado das palavras, o significado da vida, o significado do futuro ou das preocupações que teremos.


Tudo começa quando eu era uma criança.

Quando eu não tinha entendimento das palavras que ouvia, mas que me trariam terríveis traumas,

e como consequência muitas dores emocionais que tive que enfrentar.

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Meus traumas

Quando eu ainda era muito pequena, por volta dos 4 anos de idade, minhas primeiras memórias já vão traçando traumas em meu inconsciente de maneira, somente após muitos anos após, depois de eu descobrir a terapia, foi que pude perceber o quanto vivi momentos terríveis.

Eu tenho um irmão que sempre trazia problemas para nossos pais, ele tem vício em bebida e drogas.

Me lembro quando um dia, eu estava no corredor da minha casa quando eu vejo meu irmão alterado, com uma faca na mão, ameaçando todos da casa, meus pais, minhas irmãs. Meus outros irmãos homens já eram casados nessa época, somos uma família de 4 irmãs e 3 irmãos.

Minha mãe mandou eu ir para a casa da vizinha, para que eu não presenciasse aquilo, mas já era tarde, meus olhos viram o que certamente seria um momento de trauma na minha memória.

Meus sentimentos quando criança eram de absoluto abandono, e eu não conseguia discernir aquele vazio dentro de mim. Eu tinha uma família, com pais, irmãos e irmãs, eu tinha uma casa, eu tinha sobrinhos, cunhadas e cunhados que me amavam e me acolhiam. Especialmente uma cunhada, que me deu até de mamar em seu peito, eu a amava demais. Adorava passar meus dias em sua casa, e ela sempre me dava muita atenção. Me lembro das histórias que ela me contava antes de dormir, da comida que ela fazia com carinho e sempre tinha bolo quando eu estava lá. Ela se preocupava em fazer o bolo que eu amo até hoje, de cenoura com chocolate....hummmm, que delícia.

Essa mulher incrível me dava tanto de seu tempo, de seu cuidado, que me emociono ao escrever sobre ela. Seus cuidados e afeto me acalmavam e me davam um pouco do significado de proteção.

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Eu preciso falar sobre essa mulher extraordinária, que me ajudou a ter um pouco de afeto na infância, coisas que me marcaram, um afeto que me confortou em meio aos traumas que tive.

Aqui quero salientar o quanto é importante uma criança ter esse carinho, esse afeto e cuidados, coisas que são simples, mas que nos marcam por toda a vida. Eu me lembro de seus cuidados até com relação a minha saúde, pois muitas vezes ela se prontificava a me levar no médico (até mesmo depois que eu cresci e era uma adolescente, ela sempre me levava).

Não estou dizendo que minha mãe ou minhas irmãs não cuidavam de mim, mas que essa minha cunhada teve um papel especial na minha vida, que me marcou para sempre, e sou imensamente grata a ela por tudo que fez por mim, meu amor por ela nunca vai acabar, pois em meios aos traumas e vazios que eu tive, essa mulher me deu algo muito precioso...... ACOLHIMENTO.

Com isso quero colocar outro trauma que tive, que vieram por causa das palavras que minha família dizia para mim.

Nesse mesmo tempo, em que esse irmão bagunçava nossas vidas, me lembro de frases que, mais me descem como uma faca, uma faca que rasga meu coração....EU NÃO QUERIA TER VOCÊ. VOCÊ FOI UM ACIDENTE. EU SÓ NÃO ABORTEI PORQUE TIVE MEDO DE MORRER. NÃO ERA PARA VOCÊ ESTAR AQUI.

Não é nada fácil escrever sobre isso, pois o sentimento de rejeição não é nada fácil de superar.

Eu cresci ouvindo isso da minha família. Cresci sentindo que não era para estar viva e muitas vezes eu não queria estar.

Muitas e muitas vezes me perguntava porque Deus tinha me feito nascer, se minha mãe, minha família não me queria. Porque?

Passei minha infância ouvindo essas palavras, ouvindo a “história” de como eu não deveria ter nascido.

Não é fácil cutucar as feridas que temos e que gostaríamos de ter esquecido, porém elas estão sempre lá, e a única maneira de superá-las é FALANDO A RESPEITO.

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O mais engraçado é olhar para trás e ver que, quando eles me contavam essa história, uma história que me machucava tanto, eles a contavam dando risada, fazendo brincadeiras, como se aquilo fosse algo muito comum e natural. Nem percebiam o quanto estavam me machucando, me ferindo, me causando dor. Eles não se davam conta do que estavam fazendo comigo.

Aqui quero trazer um outro ponto....Um filho não pede para nascer, pelo menos é assim que acredito, sei que existem outras religiões que acreditam de outra forma. Mas independente disso, deixo aqui um conselho...NUNCA DIGA PARA UMA CRIANÇA ESSAS PALAVRAS. Eu sei o quanto elas machucam, e o pior é que machucam por muito tempo, até você piorar e desenvolver uma DEPRESSÃO.

Depressão

Quando eu era adolescente, e estava passando por muitas aflições, como o vestibular e a pressão que tudo isso trás, como ​escolher uma carreira e passar em uma faculdade que seja pública, pois minha família não tinha condições de pagar uma ​faculdade para mim. Uma das minhas irmãs estava se mudando para outra cidade, por conta do emprego dela.

E neste momento meus pais não estavam se entendendo à um tempo. Meu pai viu então, um oportunidade, ele decidiu ir ​embora com a minha irmã. Nessa época vivíamos meu pai, minha mãe, uma das minhas irmãs e eu.

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Perder o meu pai, porque para mim foi uma perda, foi terrível. Eu estava em meio a um processo difícil em minha vida e ele ​decidiu ir embora para outra cidade, não era tão longe, na verdade eram apenas três horas de viajem, porém não seria o ​mesmo que ter meu pai ali, todos os dias em casa. Ele tinha decidido ir e com ele foi todo o ser.

Eu me senti mais abandonada do que nunca, me senti triste e sem sentido na vida. Me apeguei ao meu namorado, que na ​época não conseguia entender o que eu estava sentindo e passando, então ele não conseguia me ajudar.

Ficamos então, minha mãe, minha outra irmã e eu, porém a perda do meu pai foi arrasadora não só para mim, mas ​principalmente para minha mãe. Ela não aceitava e se revoltou com todos os filhos, e tentava despejar toda a sua frustração ​em nós. Hoje eu entendo tudo isso, mas no momento em que aconteceu eu não conseguia entender nada, que culpa eu tinha, ​ou o que deveria fazer naquele momento.

Com a partida do meu pai nós ficamos dependendo financeiramente da minha irmã que ficou conosco, e ela não ganhava ​muito bem para sustentar a nós três.

Um dos meus irmãos ficou muito doente nessa época, aquele que fazia bagunça em casa, bebia e dava trabalho para meus ​pais quando eu era criança, e ele quase morreu, ele ficou muito tempo internado no hospital, porém sobreviveu.

Como se tudo já não estivesse muito difícil, a minha irmã, que morava comigo decidiu sair de casa e foi morar com um rapaz.

A partir daí, eu e minha mãe ficaríamos sem renda alguma, pois eu não tinha emprego e minha mãe nunca havia trabalhado ​fora, foi sempre dona de casa, criando seus filhos e cuidando do lar. Dessa forma eu peguei para mim, com apenas dezessete ​anos de idade, a responsabilidade de ir buscar um emprego para sustentar a casa.

Infelizmente eu ainda era muito ingênua e uma preza fácil para golpistas, e quando achei ter encontrado um emprego....caí em ​um golpe, muito comum na época, mas que eu só fui descobrir depois de me desgastar muito e que minhas esperanças já ​estav​am perdidas.

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Depois que meu pai foi embora, meu irmão quase morreu, a minha irmã que estava conosco também se mudou, perdi minha ​esperança de um emprego que só me usou e me consumiu, minha mãe não estava muito fácil de se conviver, e as cosas em ​casa começaram a faltar, até o básico nós não tínhamos mais, então entrei em uma depressão.

Comecei a sentir muita tristeza e vontade de morrer, me trancava no quarto o dia todo, e só me sentia bem quando estava ​dormindo. Dormia muitas horas e me forçava a dormir, porque era a única forma de me sentir bem.

Fica presa no quarto fechado e escuro, não tinha vontade de fazer nada, nada mesmo, nem tomar banho, nem comer, beber, ​nada eu queria além de dormir. E as horas em que estava acordada só conseguia pensar no meu pai e no quanto eu sentia sua ​falta e como eu me sentia abandonada. Queria morrer, e pedia isso todos os dias para Deus.

Cheguei a falar isso para meu namorado, mas ele não dava muita importância.

Ninguém acredita que você seja capaz de tirar a própria vida, todos ignoram os sinais, ninguém me via, ninguém se importava ​com a minha situação, ninguém entende a sua tristeza.

Na época eu pensei em procurar ajuda, procurar um profissional, um psicólogo, porém eu não tinha forças para buscar isso ​sozinha e ninguém me ajudou, ninguém pensou que eu precisasse de ajuda psicológica, e eu me sentia cada vez mais ​abandonada e sozinha. Sozinha com meus pensamentos de morte, sozinha em minhas tristezas e frustrações.

Esse ponto é muito importante, pois isso acontece todo o tempo com muitas pessoas, suas famílias não entendem quando ​alguém está triste, ignoram e não acreditam que essa pessoa possa vir a cometer algo contra si mesmo. Por isso vemos ​tantos jovens hoje em dia assim, se cortando, se trancando em seus quartos, e até mesmo tentando contra suas vidas.

Acredito que somente não fiz algo contra mim na época, porque de alguma forma, Deus tenha me mostrado um caminho, ​Deus tenha me ajudado e dado forças, porque eu sei que eu sozinha não estava mais suportando nada do que eu estava ​vivendo naqueles dias.

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Meus dias eram tristes e sem cor, sem vida e sem esperança.

A morte rondava meus pensamentos como uma sombra. Pensei várias vezes em me jogar na linha do trem, pensei em tantas ​formas de acabar com o meu sofrimento, porém Deus não permitiu isso, e sou grata por isso.

Uma luz apareceu em minha mente e eu não me recordo como, mas eu pensei em fazer academia. Isso me salvou! O prazer de ​ter algo para fazer todos os dias, de sair do quarto e ver o dia.

Eu comecei caminhando, até um outro bairro que era próximo, e nesse meio tempo meu pai voltou para casa.

Isso foi decisivo para minha saúde mental se restabelecer.

Meu pai voltou! Eu tinha o meu melhor amigo de volta! Eu tinha o meu porto seguro ali do meu lado outra vez.

Comecei a fazer academia e melhorei muito, não só minha mente, mas minha qualidade de vida em si.

Ter uma atividade diária é muito importante, não podemos nos entregar aos pensamentos de morte.

Podemos e devemos nos apegar a coisas que nos causam bem estar, devemos nos esforçar para encontrar sentido no nosso ​dia a dia. Devemos nos conhecer e melhorar nossa autoestima.

O amor nos salva em muitos sentidos, amar e ser amado, se amar, se respeitar, respeitar seus limites, saber dizer não....ahhhh ​quantas coisas eu aprendi com essa fase tão difícil pela qual tive que atravessar.

Quão importante foi ter pessoas ao meu lado, que mesmo sem me entender, de alguma forma colaboraram com a minha ​melhora emocional.

Não podemos controlar os momentos ruins que passamos na vida, porém podemos ter a certeza de que isso não será para ​sempre...TUDO PASSA, É SÓ UMA FASE!

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